KAMII, Constance. 1987. A criança e o número: implicações educacionais da teoria de Piaget por atuação. Campinas: 6º ed..Papirus. Esta leituraé voltada para a matemática com crianças, onde descreve a relação da criança com o número, a autonomia da criança e como trabalhá-la de forma positiva na educação. Ensina aos professores a forma mais fácil de ensinar os números na sala de aula, aplicando a teoria de Piaget, o professor pode abordar a natureza do número, objetivos para o ensino do número, princípios de ensino, situações problemas que o educador pode usar para a aprendizagem do número. Piaget mostra no primeiro capítulo três tipos de conhecimentos: conhecimento físico: é o conhecimento exterior dos objetos, através da observação; as relações (diferenças, semelhanças) são criadas mentalmente pelas pessoas de forma comparativa. A origem do conhecimento lógico-matemático é interna ao indivíduo; define-se como a coordenação das relações, onde a criança consegue ver que há mais elementos num todo do que nas partes,a abstração das características dos objetos é diferente da abstração do número, na abstração dos objetos usou-se o termo abstração empírica (focaliza uma característica e ignora a outra, estabelecendo as diferenças entre os objetos para depois relacioná-los), e na abstração do número, utilizou-se o termo abstração reflexiva (construção de relações entre os objetos); o número é uma junção de dois tipos de relações, uma é a ordem e a outra é a inclusão hierárquica (colocam-se todos os tipos de conteúdos, dentro de todos os tipos de relações). O conhecimento social são as reuniões construídas pelos indivíduos, sua natureza é resultante só da vontade; este conhecimento necessita de uma estrutura lógico-matemática para a organização e assimilação. O conceito de conservação baseia-se na epistemologia (estudo dos resultados das ciências), podendo também ser utilizados para responder a questões psicológicas quanto ao seu desenvolvimento. No segundo capítulo, a autora comenta sobre Piaget, onde ele declara que a finalidade da educação deve ser a de desenvolver a autonomia da criança, que é indissociavelmente social, moral e intelectual. Autonomia significa agir por leis próprias, na educação tem o objetivo de não opinar sobre o que não acreditam. Isto porque, os professores mantêm as crianças nas regras, através de sanções, como as estrelinhas, prêmios, notas, etc. Estudos feitos mostram que alunos do primeiro ano do ensino superior não estão capacitados para serem críticos; deve-se ressaltar a diferença entre a construção do número (não é observável, pois existe apenas na cabeça da criança) e quantificação de objetos (a observação é feita em partes, pois podemos ver o comportamento da criança, mas não vemos o pensamento que se desenvolveu mentalmente). No capítulo seguinte, Kamii escreve sobre os princípios de ensino, a criação de todos os tipos de relações, a criança que pensa na sua vida cotidiana, consegue raciocinar sobre muitos outros assuntos ao mesmo tempo, a quantificação de objetos, deve-se apoiar a criança a pensar sobre número e quantidade de objetos, quantificando-os com conhecimento lógico, comparando conjuntos móveis e a interação social com os colegas e os professores, apoiar a criança a conversar com seus colegas e imaginar como está desenvolvendo o raciocínio em sua cabeça. Na finalização comenta-se sobre as situações que o professor pode aproveitar para ensinar os números em na vida diária e jogos em grupo. Para se ensinar quantificação, é necessário ligá-la à vivência da criança, distribuindo os materiais, dividindo os objetos em partes iguais, coleta dos objetos, registro de dados e arrumação da sala de aula e votação. Jogos em grupo proporcionam raciocínio amplo e comparação de quantidades, trabalhando jogos com alvos, boliche ou bolinhas de gude, jogos de esconder, brincadeiras de pegar, jogos de adivinhação, jogos de tabuleiro, jogos de baralho, jogos de memória. O livro nos dá embasamento teórico sobre a prática do ensino dos números para crianças. Nos mostra como deve ser nosso posicionamento frente a esta prática, é escrito em uma linguagem simples, porém é repetitivo em seus exemplos.

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